Entenda a crise do banco Ueno e o novo pedido de impeachment contra Peña no Paraguai
Oposição acusa presidente de conflito de interesses e omissão regulatória; Câmara precisa de dois terços dos votos para abrir o processo
O que você precisa saber
- Trinta e cinco deputados protocolaram pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña após a crise do banco Ueno.
- O banco, com cerca de 3 milhões de clientes, entrou em liquidação depois que o Banco Central constatou déficit em seus índices de solvência.
- Peña foi acionista do grupo controlador do Ueno até março do ano passado, segundo apurações anteriores.
- Oito diretores da instituição foram presos, e a Procuradoria acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco.
OParaguai vive um novo capítulo de tensão política depois que a crise do banco digital Ueno deixou milhares de correntistas sem acesso a seus recursos. Parlamentares de oposição deram sequência a um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña, atribuindo a ele parte da responsabilidade pelo colapso da instituição financeira.
O documento de acusação foi protocolado na Câmara dos Deputados por 35 parlamentares, que também solicitaram ao presidente da Casa a convocação de uma sessão extraordinária, marcada para esta quinta-feira, para debater o tema.
No centro da controvérsia está o passado de Peña como acionista do grupo controlador do Ueno, vínculo que, segundo apurações anteriores, ele manteve até março do ano passado. O banco havia se tornado uma das principais instituições digitais do país, com cerca de 3 milhões de clientes e algo próximo de US$ 850 milhões em depósitos públicos sob sua gestão, incluindo recursos vinculados ao Instituto de Previdência Social.
A crise se intensificou na terça-feira (3), quando o Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, fechou as portas após o Banco Central iniciar um processo de liquidação da instituição. A medida foi motivada pela constatação de um déficit nos índices de solvência do banco, associado a empréstimos concedidos a empresas do mesmo grupo econômico.
Entre os pontos levantados pela oposição no texto da acusação estão supostos conflitos de interesse, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e falhas na fiscalização por parte do Banco Central.
Para que o processo de impeachment avance, será necessário o apoio de dois terços dos deputados, maioria qualificada cujo alcance ainda é incerto, já que não está definido se a bancada governista vai aderir à proposta da oposição.
Peña, por sua vez, reagiu publicamente nas redes sociais. Em publicação na plataforma X, afirmou que os responsáveis por eventuais irregularidades “responderão perante a Justiça, sem exceções” e pediu que os diferentes setores políticos priorizem o interesse dos poupadores afetados. A declaração veio pouco antes de o presidente promulgar uma lei voltada a agilizar a devolução dos recursos aos clientes do Ueno.
As consequências institucionais do caso já começaram a aparecer. Carlos Carvallo, até então presidente da entidade controladora do banco, deixou o cargo, enquanto oito diretores ligados à instituição sob intervenção foram presos, entre eles o presidente-executivo, Miguel Vázquez. A Procuradoria formalizou acusações contra 27 pessoas associadas ao banco e obteve ordens judiciais de bloqueio de bens contra os investigados, que se entregaram às autoridades após os mandados serem expedidos.
A instabilidade também se refletiu no funcionamento do sistema bancário paraguaio: nesta quarta-feira, usuários relataram falhas em diversos aplicativos de bancos, o que ampliou a desconfiança da população em relação ao setor financeiro. A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) respondeu às preocupações afirmando que as instituições estavam se organizando para atender à alta demanda de clientes migrando contas do Ueno, e reforçou que o sistema bancário nacional seguia “operando normalmente”.
Ficha do caso
- Quem: presidente Santiago Peña, do Paraguai
- Acusação: impeachment por responsabilidade na crise do banco Ueno
- Protocolo: assinado por 35 deputados da oposição
- Votação necessária: dois terços dos deputados
- Investigação paralela: 8 diretores presos e 27 pessoas acusadas formalmente










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