Entenda como o Paraguai agiu para evitar colapso bancário e já começou a devolver depósitos
Governo, Judiciário, Ministério Público e Congresso agiram em menos de 48 horas para conter a crise e já liberam parte dos depósitos aos clientes
O que você precisa saber
- Em menos de 48 horas, quatro poderes do Paraguai agiram para conter uma crise bancária: Ministério Público, Justiça, Congresso e Presidência.
- O Banco Central do Paraguai já começou a antecipar depósitos aos clientes pelo Fundo de Garantia de Depósitos, com pagamentos previstos até sexta-feira (6).
- Cada correntista pode receber até 40 salários mínimos, cerca de 121,7 milhões de guaranis, dentro de um prazo máximo de cinco dias úteis.
- Oito dirigentes do banco, incluindo o beneficiário final, foram presos, e a Justiça determinou o bloqueio de bens ligados ao grupo.
Acrise que ameaçava abalar o sistema financeiro do Paraguai encontrou uma resposta rápida e articulada das autoridades do país. Em menos de 48 horas, quatro frentes distintas do poder público, Ministério Público, Justiça, Congresso e Presidência, entraram em ação simultaneamente para conter os danos e começar a devolver recursos aos correntistas afetados.
A Promotoria abriu caminho ordenando a detenção de dirigentes do banco envolvido no caso. Paralelamente, a Justiça determinou o bloqueio preventivo de bens e contas ligados a executivos e empresas do grupo. No Legislativo, o Congresso aprovou às pressas uma lei que permite acelerar a antecipação dos depósitos aos clientes, sancionada em seguida pelo presidente Santiago Peña.
Com a legislação em vigor, o Banco Central do Paraguai (BCP) colocou em marcha um cronograma de pagamentos usando o Fundo de Garantia de Depósitos. Segundo a instituição, os saldos já começaram a aparecer nas contas digitais dos clientes, e o procedimento completo, do início ao fim, não deve ultrapassar cinco dias úteis, com a liberação dos primeiros valores em até 24 horas.
Pelas regras do fundo, cada correntista pode receber um adiantamento de até 40 salários mínimos, o equivalente a cerca de 121,7 milhões de guaranis. Quem já possui conta em outra instituição financeira recebe o crédito diretamente ali; para os demais, uma nova conta é aberta especialmente para o repasse.
O BCP estima que essa garantia alcance cerca de 98% de todo o volume depositado no banco, percentual que diz respeito ao total de recursos cobertos, e não à fatia de clientes que efetivamente teria o dinheiro em mãos já nesta sexta-feira (6), já que os pagamentos seguem um cronograma escalonado dentro do prazo máximo estabelecido.
Uma parcela dos depósitos, no entanto, ultrapassa o teto garantido pelo fundo e seu destino ainda é incerto: esses valores dependem de uma avaliação mais aprofundada dos ativos e passivos do banco, além de mecanismos adicionais de recuperação que ainda estão sendo estruturados. Parte da imprensa paraguaia tem noticiado que os recursos já teriam sido executados judicialmente e que o montante seria integralmente devolvido aos depositantes, embora essa recuperação total ainda não esteja formalmente confirmada.
No centro das investigações, oito dirigentes da instituição financeira foram presos, entre eles o beneficiário final do banco, conforme apurações conduzidas pelas autoridades paraguaias.
Ficha do caso
- O quê: crise financeira e antecipação de depósitos de banco paraguaio
- Responsável pelo pagamento: Banco Central do Paraguai (BCP), via Fundo de Garantia de Depósitos
- Valor máximo por cliente: 40 salários mínimos (cerca de 121,7 milhões de guaranis)
- Prazo: até cinco dias úteis, com pagamentos até sexta-feira (6)
- Investigação: oito dirigentes presos e bens bloqueados pela Justiça












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