Herbert Lins analisa crise no Avante, corrida à prefeitura e fenômeno Mosquini no Papo Ideal

Herbert Lins analisa crise no Avante, corrida à prefeitura e fenômeno Mosquini no Papo Ideal

publicidade

Herbert Lins analisa crise no Avante, corrida à prefeitura e fenômeno Mosquini no Papo Ideal

Em entrevista a Juan Pantoja, o professor e analista político Herbert Lins avalia a crise no Avante após a eleição, especula sobre uma possível candidatura de Dr. Gilber à prefeitura de Porto Velho e explica por que Lúcio Mosquini se tornou “um fenômeno”

Eu Ideal

Foto: Eu Ideal

Publicidade

O que você precisa saber

  • No Papo Ideal, podcast do Portal Eu Ideal, o analista Herbert Lins comentou a crise interna no Avante após o pedido de Marcelo Cruz para deixar a legenda antes da diplomação.
  • Herbert avalia que o deputado Dr. Gilber reúne condições para ser o nome de consenso da ala bolsonarista numa eventual disputa pela prefeitura de Porto Velho.
  • O analista classificou o deputado federal eleito Lúcio Mosquini como “um fenômeno” no uso de redes sociais combinado à presença constante na base eleitoral.

Ocenário político de Rondônia no pós-eleição foi tema de uma entrevista do jornalista Juan Pantoja com o professor e analista político Herbert Lins de Albuquerque, no Papo Ideal, podcast idealizado pelo Portal de notícias Eu Ideal. Em bate-papo descontraído, mas recheado de bastidores, Herbert comentou três assuntos que têm movimentado a conversa política no estado: a crise interna no partido Avante após a eleição, a possibilidade de o ex-vereador Dr. Gilber disputar a prefeitura de Porto Velho em 2028 e a estratégia de redes sociais que, segundo o analista, explica o desempenho eleitoral do deputado federal eleito Lúcio Mosquini.

Avante sob pressão: o pedido de saída de Marcelo Cruz

O Avante elegeu dois deputados estaduais em Rondônia, mas, segundo Herbert Lins, a legenda corre o risco de ficar “refém de lideranças” caso não cumpra a cláusula de desempenho exigida pela legislação eleitoral, cenário que deixaria o partido, na prática, com apenas um representante eleito.

Antes de comentar o caso específico do Avante, Herbert Lins fez questão de relembrar uma previsão sua, publicada em coluna no dia 21 de setembro, sobre o resultado da disputa ao governo do estado. Na ocasião, ele escreveu que, se o eleitorado percebesse que o governo estava com “duas chapas brancas” na disputa, o candidato Marco Rogério venceria a eleição já no primeiro turno, o que, segundo o analista, se confirmou nas urnas.

O professor também comentou uma previsão equivocada feita pelo ex-deputado Jair Montes, conhecido como “Jaiminho”, que apostava que o candidato Adailton Fúria disputaria o segundo turno. Herbert afirma que, à época, já discordava publicamente dessa avaliação, apontando que ou Marco Rogério venceria em primeiro turno, ou Hildon Chaves seria o adversário no segundo turno, o que também não se confirmou. Para o analista, o desempenho de Hildon Chaves durante a campanha foi um fator decisivo: segundo ele, o ex-prefeito “sumiu” tanto das redes sociais quanto do contato direto com o eleitorado, mesmo após ser avaliado, por moradores mais antigos da capital, como um dos melhores prefeitos que Porto Velho já teve em termos de infraestrutura.

Sobre o caso específico do Avante, Herbert Lins afirmou estranhar o pedido do deputado reeleito Marcelo Cruz para deixar a legenda ainda antes da diplomação. Segundo o analista, a filiação partidária é uma exigência legal tanto para a diplomação quanto para a posse, o que tornaria questionável fazer esse pedido nesse momento do processo eleitoral, antes mesmo de o parlamentar assumir formalmente o mandato.

Questionado se o movimento poderia ser interpretado como ingratidão em relação ao ex-deputado Jair Montes, que teria viabilizado a entrada de Marcelo Cruz na chapa do Avante, Herbert discordou dessa leitura. Para ele, nenhum outro partido demonstrava interesse em receber o candidato, e Marcelo Cruz teria se dedicado mais à campanha do pai, que recebeu cerca de 20 mil votos, do que à própria candidatura, que somou aproximadamente 12 mil votos. O analista também pontuou que o Avante é visto, de forma equivocada em sua opinião, como um partido de esquerda em Rondônia, o que ajudaria a explicar o movimento do deputado.

Dr. Gilber, o Partido Novo e uma possível candidatura à prefeitura

A conversa avançou para o papel dos dez deputados estaduais aliados eleitos ao lado do governador eleito Marco Rogério, e sobre quais lideranças devem ter mais proximidade com o novo governo. Herbert Lins citou o nome do deputado Dr. Gilber como uma das figuras com relação mais consolidada com Rogério, ao lado de Jean Mendonça, aliados que, segundo o analista, mantiveram a aproximação com o atual governador eleito mesmo em eleições anteriores, quando ele não se elegeu.

Herbert lembrou que Dr. Gilber foi o único deputado então filiado ao PL autorizado por Marco Rogério a migrar de legenda, rumo ao Partido Novo, avaliado como de maior viabilidade eleitoral para ele. Para o analista, essa proximidade e liberdade de atuação colocam Dr. Gilber em posição estratégica dentro do jogo político estadual.

A partir desse cenário, Herbert Lins avaliou que Dr. Gilber reúne condições para ser o nome de consenso de uma ala bolsonarista que resiste a uma possível aliança com o vereador reeleito Léo Moraes na disputa pela prefeitura de Porto Velho, resistência que, segundo o analista, está relacionada ao fato de Léo não ter declarado apoio à candidatura à Presidência da República no segundo turno das eleições. O professor mencionou ainda que já ouviu lideranças bolsonaristas defendendo publicamente o nome de Dr. Gilber para a disputa municipal.

Questionado sobre eventual concorrência do nome da deputada Sofia Andrade dentro desse espaço político, Herbert ponderou que o PL precisaria manter reciprocidade com o apoio recebido de Léo Moraes na eleição ao governo, o que tornaria mais provável a permanência do partido ao lado do vereador na disputa municipal, diferentemente de Dr. Gilber, hoje no Partido Novo e, portanto, sem o mesmo compromisso de aliança.

Para justificar a avaliação, o analista citou a atuação de Dr. Gilber como vereador de Porto Velho, destacando sua participação em discussões orçamentárias e proposituras legislativas contrárias a aumentos do IPTU, da taxa de lixo e da taxa de iluminação pública. Mesmo sem uma candidatura consolidada, Herbert pontuou que disputar a prefeitura já renderia a Dr. Gilber maior visibilidade política, com potencial de fortalecer tanto uma eventual reeleição para deputado estadual quanto um futuro projeto a deputado federal.

O analista fez questão de relativizar qualquer certeza sobre o resultado de uma eventual candidatura, citando o próprio histórico recente: nesta última eleição, nomes bem votados em pleitos municipais anteriores, como Célio Lopes e Euma Tourinho, não repetiram o desempenho de outros políticos rondonienses, como Léo Moraes, Mariana Carvalho, Cristiane Lopes e Mauro Nazif, que haviam conseguido migrar de candidaturas à prefeitura de Porto Velho para mandatos de deputado federal.

O “fenômeno” Lúcio Mosquini nas redes sociais

Por fim, Herbert Lins dedicou parte da entrevista a comentar a estratégia de comunicação do deputado federal eleito Lúcio Mosquini, que classificou como um verdadeiro “fenômeno” de uso de redes sociais. Segundo o analista, Mosquini construiu, ao longo do tempo, uma presença digital baseada no diálogo constante com um interlocutor fictício apelidado de “Chico”, recurso que, segundo Herbert, humanizou a comunicação do parlamentar e aproximou o público de seu dia a dia político.

Para o professor, no entanto, o sucesso de Mosquini nas urnas não se explica apenas pelas redes sociais, mas pela combinação entre comunicação digital e presença constante na base eleitoral, especialmente no interior do estado. Herbert Lins destacou a atuação do deputado em defesa do agronegócio e da agricultura familiar, incluindo apoio a produtores penalizados pelo Ibama, além da presença frequente em entregas, cultos, casamentos, batizados e até velórios pelo interior de Rondônia, rotina que, segundo o analista, era constantemente registrada e compartilhada nas redes sociais do parlamentar.

“Em Rondônia, você tem que mostrar serviço, tem que mostrar o teu dia a dia para o eleitor”, resumiu Herbert Lins, ao comparar a estratégia de Mosquini com a da deputada estadual reeleita Dra. Taíssa Sousa, de Guajará-Mirim, cujo cotidiano frequentemente compartilhado nas redes também teria contribuído para o resultado obtido nas urnas.

Quem é Herbert Lins

Herbert Lins de Albuquerque é jornalista, professor, historiador, consultor em marketing político e mestre em Geografia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

Receba mais notícias no WhatsApp

Publicidade

COMENTÁRIOS

Leia Também:  OAB Rondônia cobra melhorias no atendimento do Ibama e agilidade no acesso a processos administrativos

Compartilhe essa Notícia

publicidade

Portal Daki
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade