Entenda a crise do Ueno Bank, no Paraguai: banco fechado, dirigentes detidos e Banco Central sem quórum
Cerca de 2,9 milhões de clientes estão sem acesso às contas. Senado aprovou proposta para antecipar pagamento a depositantes, e a Justiça determinou o bloqueio de bens ligados ao grupo.
O que você precisa saber
- O fechamento do Ueno Bank, no Paraguai, deixou cerca de 2,9 milhões de clientes sem acesso às contas.
- O Ministério Público ordenou a detenção de oito dirigentes, que se apresentaram e estão sob custódia.
- A Justiça determinou o embargo preventivo de bens até o limite de US$ 70 milhões.
- O presidente do Banco Central paraguaio renunciou, e a diretoria ficou sem quórum para deliberar.
O fechamento do Ueno Bank abriu no Paraguai uma crise que atinge ao mesmo tempo o sistema financeiro, a Justiça e a própria autoridade monetária do país. Além de deixar cerca de 2,9 milhões de clientes sem acesso aos recursos, o caso levou à detenção de dirigentes do banco e à saída de integrantes do comando do Banco Central.
Dirigentes sob custódia
O Ministério Público ordenou a detenção de oito dirigentes da instituição, entre eles Federico Miguel Vázquez Villasanti, apontado como beneficiário final do banco. Todos se apresentaram às autoridades e permanecem sob custódia.
A investigação apura suspeitas de lesão de confiança e outros delitos. As detenções, porém, não significam condenação, e os investigados ainda poderão se defender.
Bens bloqueados
A Justiça determinou o embargo preventivo de bens e contas de executivos e de empresas ligadas ao grupo, com limite de US$ 70 milhões, o equivalente a mais de 1,6 trilhão de guaranis. O objetivo é preservar patrimônio enquanto o caso é investigado.
O uso desses valores para pagar credores, no entanto, dependerá dos procedimentos judiciais e da definição de responsabilidades.
Banco Central sem quórum
A crise também chegou ao órgão que supervisiona o setor. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, renunciou, e os diretores Carmen Marín e Marco Aurelio González também deixaram os cargos.
Com apenas dois integrantes, o diretório ficou sem quórum para tomar decisões. Isso exige a recomposição da própria autoridade responsável por conduzir a resolução do caso.
Proteção aos correntistas
Para tentar tranquilizar os depositantes, o Senado aprovou uma proposta que antecipa, em até 24 horas, o pagamento de até 40 salários mínimos por cliente. O limite equivale a cerca de 121 milhões de guaranis, ou US$ 20 mil. A estimativa é que a medida alcance a maior parte dos correntistas.
Ficha do caso
- Banco: Ueno Bank (Paraguai)
- Clientes sem acesso: cerca de 2,9 milhões
- Dirigentes detidos: 8, todos sob custódia após se apresentarem
- Bens embargados: até US$ 70 milhões (mais de 1,6 trilhão de guaranis)
- Proposta aprovada no Senado: pagamento em até 24 horas de até 40 salários mínimos (cerca de US$ 20 mil)
- Banco Central: presidente e dois diretores deixaram os cargos, e a diretoria ficou sem quórum
Nota da redação
As detenções têm caráter investigativo e não representam condenação. A proposta aprovada pelo Senado paraguaio depende de seguir os trâmites legais, e os valores em dólar e guarani são aproximados e podem variar conforme o câmbio. O caso ocorre no Paraguai e não envolve instituições financeiras brasileiras.












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