O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, apresentou neste sábado (29) suas principais diretrizes econômicas e administrativas para o país. Entre os eixos prioritários de seu projeto estão o enxugamento da máquina pública, a revisão tributária sobre apostas e a reestruturação da saúde.
Ajuste fiscal, corte de ministérios e tributação de apostas
Para equilibrar as contas públicas e reduzir a dívida do país em até 3% do Produto Interno Bruto (PIB), o candidato sugeriu elevar a taxação de empresas de apostas eletrônicas para a faixa entre 50% e 52%. Ele argumentou que a atual alíquota de 12% sobre o setor é desproporcional quando comparada a itens essenciais, como alimentos e energia elétrica.
O plano administrativo inclui a extinção de oito a dez pastas ministeriais após uma análise criteriosa de despesas. Em contrapartida, Cury defende a criação de um Ministério da Segurança Pública e de uma estrutura voltada para inteligência artificial e robótica, com a meta de evitar o desemprego tecnológico em massa.
O pacote financeiro também contempla a revisão de 50 mil cargos comissionados, a digitalização dos serviços estatais e o incentivo ao financiamento de 10 milhões de microempresas. Segundo o candidato, tais ações conjuntas teriam potencial para gerar entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões sem a necessidade de novas contratações.
Planos para telemedicina no SUS e seguridade social
Na área da saúde, a meta central apresentada é direcionar 80% dos atendimentos primários do SUS para plataformas digitais, reservando as unidades físicas para casos de maior gravidade. Diante das restrições do Conselho Federal de Medicina sobre a substituição integral de consultas presenciais, o postulante afirmou que os órgãos de classe necessitam de modernização diante dos avanços tecnológicos.
Questionado sobre sua atuação prévia como sócio de uma empresa de telessaúde até 2023 e o posto de embaixador da marca, Cury rejeitou qualquer conflito de interesses. Ele declarou que sua participação anterior reflete apenas experiência técnica acumulada e que não mantém vínculos societários com o negócio.
Em relação ao déficit da Previdência Social, o candidato descartou o envio de uma nova reforma legislativa. A solução proposta foca no ganho de produtividade corporativa e no desmembramento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em duas frentes de atuação: uma voltada a grandes corporações e outra dedicada exclusivamente aos microempreendedores.
Salário mínimo, segurança pública e diplomacia
Para a remuneração dos trabalhadores, a meta prevê a reposição inflacionária somada a 1% de ganho real ao ano, projetando um crescimento de 50% a 60% no salário mínimo ao término de quatro anos. Em um horizonte de oito a dez anos, o objetivo declarado é elevar o piso nacional do equivalente a US$ 300 para US$ 600.
No combate ao feminicídio, a estratégia apresentada aposta na utilização de drones com sirenes acionados diretamente pelas delegacias e na implementação de aplicativos com botão de emergência para socorro imediato. No âmbito social, o candidato assegurou a preservação dos repasses do Bolsa Família a inscritos que obtenham carteira assinada ou formalizem registro como microempreendedores.
Na política externa, Cury indicou que o corpo diplomático deve manter profissionais de carreira nas negociações estratégicas com potências globais, mas defendeu que as embaixadas atuem também como promotoras comerciais. A ideia visa transformar diplomatas em divulgadores para valorizar o agronegócio e posicionar o Brasil como fornecedor internacional de alimentos.














