Em um estado onde a força motriz da economia dita as regras do jogo, não há caminho viável para o Governo de Rondônia que não passe pela aprovação das lideranças rurais e produtores do estado

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Em Rondônia, costuma-se dizer nos bastidores políticos que o trator não apenas ara a terra, mas também abre (ou fecha) as portas dos gabinetes. A poucos meses do pleito de outubro de 2026, a movimentação pré-eleitoral confirma essa máxima: o agronegócio não é apenas um setor da economia local, é a verdadeira espinha dorsal da política rondoniense e o principal vetor na escolha do próximo governador.

Historicamente alinhado à centro-direita e à direita, o agronegócio de Rondônia solidificou-se como um bastião conservador. A expansão da fronteira agrícola, o recorde nas safras de soja e a força da pecuária de corte criaram uma elite econômica com demandas muito específicas e uma ojeriza visceral a políticas de esquerda, especialmente no tocante a questões fundiárias e ambientais.

O Caderno de Demandas do Setor Produtivo

Para conquistar o voto verde e amarelo — que se traduz não apenas no apoio popular do interior, mas no robusto financiamento de campanhas —, os pré-candidatos precisam assinar embaixo de uma cartilha rígida. O setor não aceita meio-termo nas seguintes pautas:

  • Segurança Jurídica e Regularização Fundiária: A defesa incondicional do direito à propriedade e o combate a invasões de terras são inegociáveis. O agro exige um governador que atue de forma enérgica e imediata contra movimentos sociais de ocupação rural.

  • Infraestrutura e Logística: O estrangulamento da BR-364 e a necessidade de modernização dos portos (como o de Porto Velho) para o escoamento da safra pelo Arco Norte são problemas crônicos. O setor exige planos práticos, e não apenas promessas de palanque, para baratear o frete.

  • Flexibilização e Defesa contra a “Burocracia Ambiental”: O produtor rural rondoniense frequentemente se sente sufocado por agências de fiscalização federais. O governo estadual é visto como um escudo necessário para mediar e proteger o produtor frente às pressões ambientais de Brasília e do exterior.

  • Ideologia e Armamento: Em sintonia com a pauta bolsonarista, o direito à posse e porte de armas no campo para defesa pessoal e da propriedade é uma bandeira que gera forte engajamento no estado.

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A Pureza Ideológica Acima do Pragmatismo

“O produtor rondoniense aprendeu a votar com o bolso e com os seus valores. Hoje, um candidato pode apresentar o melhor projeto de rodovia do mundo; se ele tiver um escorregão na pauta ideológica ou flertar com legendas de esquerda, o setor produtivo vira as costas no mesmo dia.”

O fenômeno do “superbolsonarismo” em Rondônia blindou o agronegócio contra o pragmatismo político de outrora. No passado, alianças de conveniência com o governo federal (independentemente do partido) eram toleradas em nome da atração de recursos. Em 2026, isso mudou. O alinhamento do governo federal ao presidente Lula (PT) fez com que o agronegócio rondoniense se fechasse ainda mais em uma trincheira conservadora.

O Desafio dos Postulantes

É sob essa lupa rigorosa que figuras de peso, como o senador Marcos Rogério (PL) e o prefeito de Cacoal, Adaílton Fúria (PSD), estão sendo avaliados.

Marcos Rogério tenta usar sua ligação estreita com o ex-presidente Jair Bolsonaro como um “passe livre” junto às federações e sindicatos rurais, apresentando-se como o candidato puro-sangue da direita. Já Adaílton Fúria, que domina o cinturão cafeeiro e a Zona da Mata, precisa provar que seu partido, que hoje compõe a base governista em Brasília, não contaminará sua gestão com ideologias rejeitadas pelo produtor local.

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A grande feira agropecuária de Ji-Paraná (Rondônia Rural Show Internacional), que se aproxima nas próximas semanas, servirá como o grande termômetro. As vaias ou os aplausos nos pavilhões e estandes ditarão quem tem, de fato, a bênção do setor que move Rondônia. No fim das contas, o caminho para o Palácio Rio Madeira não é asfaltado; ele é de terra, ladeado por silos e pastagens.

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