Adolescente de Rondônia recebe rim em SP após transplante

Famílias de adolescente transplantada e de goleiro de 14 anos se conectam após procedimento em Campinas
Adolescente de RO recebe rim após conviver 13 anos com doença renal, e famílias acreditam que goleiro de 14 anos morto em SP seja o doador

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Uma adolescente de 16 anos, moradora de Ji-Paraná em Rondônia, passou por um transplante de rim no Hospital da Unicamp em Campinas, São Paulo, após conviver desde a infância com uma doença renal hereditária. A cirurgia realizada na madrugada de sexta-feira, 30 de outubro, aproximou duas famílias que agora acreditam que o órgão doado pertença a um jovem de 14 anos.

Transplante de rim em Campinas

A paciente Cáryta Micaelly convivia com a doença renal policística desde os três anos e precisou ser atendida pelo Tratamento Fora de Domicílio do SUS, pois não havia possibilidade de realizar o procedimento na cidade de origem. Em setembro deste ano, a função renal diminuiu até atingir 8% da capacidade, o que exigiu a inclusão do nome na Lista de Transplantes e a implantação de um cateter para hemodiálise. A mãe, Shirley, já realizava exames como possível doadora, mas a ligação sobre um órgão compatível chegou no dia 28 de outubro, resultando na viagem às pressas para São Paulo e na cirurgia imediata.

“Foi uma situação difícil, nós começamos a orar e pedir a Deus, e clamar a Deus, foi um desespero grande”, contou o pai, Carlito de Oliveira Lopes. Segundo ele, o órgão começou a funcionar de forma imediata na madrugada, surpreendendo a equipe médica. “A gente entende como um milagre. Na mesma noite, na mesma madrugada, o rim começou a funcionar e no outro dia ela já fez xixi. Até as enfermeiras se surpreenderam com a forma da resposta do rim quando foi implantado nela”, relatou o pai.

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Coincidências entre as famílias

Como o Sistema Único de Saúde garante o sigilo da identidade do doador e do receptor, a equipe médica repassou apenas características físicas aos familiares de Cáryta, informando que se tratava de um adolescente de 14 anos, 1,82 metro de altura e pesando 75 quilos. A partir desses dados, os parentes localizaram notícias sobre o goleiro Miguel, de 14 anos, que morreu após o carro em que estava bater contra uma árvore em São José dos Campos, com captação de órgãos concluída em 29 de outubro. “As horas que passava para a Shirley que estava sendo retirado o órgão do doador, era exatamente também que a reportagem falava que o Miguel estava sendo submetido à remoção dos órgãos dele para doação”, comentou Carlito.

Por meio das redes sociais, os parentes de Rondônia entraram em contato com Ana Tereza Meneses, mãe de Miguel, compartilhando a emoção gerada pela história. “Eu estava em prantos, pedindo para o Senhor me ajudar, curar o meu coração. Eu falei para ela: ‘No momento eu estou em prantos, mas muito feliz porque eu sei que tem uma mãe do outro lado que está feliz, que o meu filho deu vida à filha dela’”, relembrou Ana Tereza. O pai de Cáryta destacou que a cirurgia representa um recomeço para a jovem, que sofria com restrições alimentares e de atividades.

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Desafios da doação de órgãos

Dados do Registro Brasileiro de Transprantes de 2025, elaborado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, apontam que mais de 15 mil potenciais doadores foram notificados no ano passado, com 4.335 doadores efetivos. O número de recusas familiares alcançou 4.200, representando uma taxa de 45%, enquanto 73.877 pessoas aguardavam na fila de transplantes em dezembro do ano passado, incluindo 272 crianças e adolescentes que esperavam um rim entre os 38.925 pacientes que aguardavam o mesmo órgão.

No caso de Miguel, a mãe soube da possibilidade de doar após a confirmação da morte encefálica no hospital e a decisão foi unânime entre ela, o esposo e o filho Benício. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, o adolescente doou coração, rins, fígado e córneas, contribuindo para salvar quatro vidas. “Se as pessoas se conscientizassem da alegria e do amor que recebe ao você fazer um ato desse de doar os órgãos do seu filho, do seu familiar, o retorno é incrível, porque você sente o amor das pessoas em você. Você conseguiu doar os órgãos dele para dar vida a outras pessoas, enquanto vivem aqui na terra, não tem preço, não tem preço”, concluiu Ana Tereza.

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