MPRO pede conclusão de obras para atender famílias sem energia há anos na zona rural de Porto Velho
Ação Civil Pública contra a Energisa cobra cronograma de obras no Distrito de Rio Pardo e pede indenização de R$ 2 milhões por danos morais coletivos e sociais
O que você precisa saber
- O MPRO ajuizou Ação Civil Pública contra a Energisa Rondônia por falhas na universalização da energia elétrica em Rio Pardo, zona rural de Porto Velho.
- Segundo o MPRO, famílias aguardam ligação há anos, algumas há cerca de 20 anos, mesmo com o prazo regulatório da ANEEL encerrado em dezembro de 2025.
- A ação pede conclusão das obras em até 30 dias, cronograma detalhado e indenização de R$ 2 milhões por danos morais coletivos e sociais.
- As medidas e indenizações pedidas pelo MPRO dependem de decisão judicial.
OMinistério Público de Rondônia (MPRO) ajuizou Ação Civil Pública contra a Energisa Rondônia para cobrar a universalização do acesso à energia elétrica no Distrito de Rio Pardo, na zona rural de Porto Velho. A ação pede que a concessionária conclua as ligações pendentes e apresente um cronograma de execução das obras sem custos aos moradores.
A ação é resultado de procedimentos extrajudiciais que identificaram famílias sem energia elétrica, prazos de atendimento descumpridos e falta de informações sobre a execução das obras. O MPRO também pede indenização por danos morais coletivos e danos sociais, no valor total de R$ 2 milhões.
A Resolução Homologatória nº 3.213/2023, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), estabeleceu 31 de dezembro de 2025 como prazo para a universalização do acesso à energia elétrica na zona rural de Porto Velho, incluindo o Distrito de Rio Pardo.
Embora o Programa Luz Para Todos tenha vigência nacional até 2028, o cronograma específico para o município terminou em 2025. Segundo o MPRO, a Energisa não cumpriu as metas estabelecidas.
O programa é financiado pelo Governo Federal, que subsidia 90% dos recursos, enquanto a concessionária responde pelos 10% restantes e pela execução das obras.
Na ação, o Ministério Público sustenta que os moradores não podem ser responsabilizados financeiramente pelo atraso da empresa. Conforme a promotora de Justiça Daniela Nicolai de Oliveira Lima, autora da ação, o prazo regulatório terminou sem que a empresa concluísse as obras na região.
Famílias sem energia
Os procedimentos conduzidos pela 11ª Promotoria de Justiça de Porto Velho registraram situações de moradores que aguardam o fornecimento de energia há anos.
Na Linha 15, Km 27, uma solicitação feita em dezembro de 2023 teve o atendimento inicialmente previsto para 2024.
Na Linha União, sete famílias relataram estar sem energia elétrica há cerca de 20 anos. Em outubro de 2026, a concessionária informou que a área está inserida na Floresta Estadual do Rio Pardo e que seria necessária análise da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM).
Já na Estrada Lateral do Colégio Estadual, um consumidor idoso aguardava a ligação há aproximadamente dois anos. Mesmo após reiteradas solicitações do MPRO, a empresa não apresentou o levantamento exigido nem concluiu o atendimento.
Tentativas de solução
A promotora Daniela Nicolai realizou reuniões com representantes da Energisa para buscar uma solução administrativa. Em março de 2026, a concessionária se comprometeu a levantar as demandas e apresentar respostas em até 15 dias, mas o prazo terminou sem a entrega das informações.
Em setembro do mesmo ano, moradores relataram que postes haviam sido transportados para a região, mas permaneciam no chão, sem a conclusão das obras. A empresa voltou a mencionar dificuldades ambientais e se comprometeu a entregar um relatório de levantamento, que não foi apresentado.
O Ministério Público também questiona a atribuição aos moradores da responsabilidade por obter autorizações ambientais necessárias às obras. Na avaliação apresentada na ação, cabe à concessionária, como executora do programa, conduzir os procedimentos relacionados às intervenções que realiza.
Medidas solicitadas pelo MPRO
- Levantamento de todas as unidades consumidoras sem energia elétrica em Rio Pardo e auxílio aos moradores na regularização documental.
- Apresentação de cronograma detalhado e faseado para a execução das obras, sem custos aos moradores.
- Conclusão imediata das ligações nas localidades sem restrições ambientais, com prioridade para famílias com idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde.
- Multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento das determinações judiciais, caso concedidas.
Acompanhamento
A ação também requer que o cumprimento das medidas seja acompanhado continuamente pela Justiça, com apresentação de relatórios e realização de audiências periódicas de monitoramento.
Segundo a promotora de Justiça, a proposta é que as indenizações sejam destinadas a projetos de infraestrutura e desenvolvimento comunitário em Rio Pardo, sob fiscalização judicial e do Ministério Público. O objetivo é direcionar os recursos à população afetada, sem substituir as obras de universalização, que já são obrigação da concessionária.
As medidas e indenizações integram os pedidos apresentados pelo MPRO e dependem de decisão judicial.
Ficha do caso
- Instrumento: Ação Civil Pública
- Autora: promotora de Justiça Daniela Nicolai de Oliveira Lima, pelo MPRO
- Ré: Energisa Rondônia
- Local: Distrito de Rio Pardo, zona rural de Porto Velho
- Indenização pedida: R$ 2 milhões por danos morais coletivos e sociais











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