Copom decide taxa Selic com foco na inflação e contas públicas

Banco Central avalia cenários para os juros básicos em meio à pressão fiscal e cambial no país.
Selic: por que o Banco Central pode parar de cortar juros após a reeleição de Lula?

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (4) para definir o patamar da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. A decisão ocorre em um ambiente desafiador, marcado por incertezas fiscais e pressões inflacionárias que dividem as projeções dos analistas do mercado financeiro.

Expectativa para a taxa Selic

A projeção dominante entre os especialistas aponta para a interrupção do ciclo de flexibilização monetária, com a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano. Esse cenário reflete a piora nas expectativas de inflação e as dúvidas crescentes sobre a gestão das contas públicas federais, embora parte dos analistas ainda admita uma última redução residual.

Caso o Banco Central opte pelo corte, a estimativa seria de uma baixa de 0,25 ponto percentual, conduzindo os juros a 13,50% ao ano. “Esperamos manutenção da taxa Selic em 13,75% na reunião de novembro. A decisão deve ser unânime e refletir a avaliação de piora do cenário-base”, afirma o Itaú BBA em relatório.

Impacto da situação fiscal

A inquietação dos investidores ganhou força com o panorama das contas do governo, que registraram um déficit nominal de R$ 1,28 trilhão no período de 12 meses encerrado em setembro. A dívida bruta alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 11,1 trilhões, enquanto no final de dezembro de 2022 o índice correspondia a 71,7% do PIB.

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Esse avanço no endividamento público eleva a percepção de risco e faz com que os investidores exijam taxas maiores para financiar o país. “Com dívida alta e crescente, o investidor passa a exigir mais para emprestar ao governo, e os juros longos sobem. Juro mais alto aumenta a dívida, e a dívida maior exige juro mais alto. É esse ciclo que o mercado teme”, explica Juliana Daitx, coordenadora de Investimentos da Unicred Porto Alegre.

Efeitos sobre crédito e inflação

Os reflexos dos juros elevados já alcançam o cotidiano dos consumidores e das empresas, com o comprometimento da renda das famílias atingindo o maior patamar em 21 anos. O Relatório de Estabilidade Financeira aponta solidez no sistema bancário, mas revela avanço na inadimplência e nas operações de crédito problemáticas.

No âmbito internacional, o ambiente desfavorável com cotações elevadas do petróleo também pressiona os índices de preços locais. O Itaú BBA revisou as estimativas para o IPCA, inflação oficial do país, projetando taxas de 5,1% para 5,2% em 2026 e de 4,6% para 6,1% em 2027.

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