Uma organização criminosa liderada por três irmãos e parentes foi alvo da Operação IFRIT, deflagrada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal e pela Receita Federal em sete estados. O grupo mantinha uma estrutura dividida em funções para traficar drogas e armas compradas na Bolívia, no Paraguai e no Peru, abastecendo estados brasileiros e países da Europa como Espanha e Portugal.
Operação IFRIT
A investigação detalhou que o núcleo familiar comandava o esquema, enquanto outros integrantes cuidavam das finanças, do transporte, da logística e da segurança armada. Para proteger as atividades, a quadrilha utilizava armamento de alto poder ofensivo, equipamentos de comunicação, drones e veículos blindados. A apuração também identificou possíveis vínculos com facções criminosas e a colaboração de agentes públicos que forneciam informações estratégicas.
Delegado suspeito de desviar cocaína
Um dos principais alvos é o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, suspeito de integrar a cúpula da organização e de usar a função para desviar cerca de duas toneladas de cocaína do depósito da Denar em Campo Grande. Segundo a Polícia Federal, a informação foi confirmada pelo advogado João Pedro Fialho, e o delegado teria vendido cada quilo da droga desviada por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil. Em aproximadamente dois anos, ele teria obtido pelo menos R$ 15 milhões, além de veículos, uma mansão em Campo Grande e um sítio em Pirenópolis (GO).
Esquema financeiro e movimentação
Para esconder os recursos obtidos com as atividades ilegais, a estrutura movimentou mais de R$ 500 milhões em cerca de dois anos, conforme análises financeiras da investigação. O dinheiro circulava por contas de investigados, operadores financeiros e empresas de fachada para dificultar o rastreamento patrimonial. As investigações indicam que a organização atuava de forma estável e permanente pelo menos desde 2018.
A ação desta quarta-feira (4) cumpre 76 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina. O trabalho mobiliza 450 policiais federais, 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários da Receita Federal.








