Um haras de luxo, seis fazendas e mansões avaliadas em mais de R$ 500 milhões foram sequestrados pela Justiça durante a Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4).
Sequestro de bens e bloqueio de contas
O patrimônio alvo da Justiça inclui cerca de 160 imóveis entre mansões e apartamentos de alto padrão, um haras de luxo e seis fazendas em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Amazonas com mais de 5 mil hectares informou a Polícia Federal. A ação também determinou o bloqueio de até R$ 300 milhões em contas bancárias de 170 pessoas e empresas investigadas.
A Justiça autorizou 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. A investigação aponta que a organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital e ao Primeiro Grupo Catarinense movimentou mais de R$ 500 milhões em dois anos.
Atuação na fronteira e uso de drogas apreendidas
Segundo a superintendência da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, a família investigada atua no tráfico internacional de drogas e armas há mais de uma década. O grupo trazia entorpecentes de países vizinhos como Paraguai e Bolívia para abastecer centros brasileiros e a Europa.
Durante entrevista, o superintendente afirmou que a organização contava com apoio de agentes públicos e obtinha drogas de apreensões anteriores. “Ela tinha que ter acesso a esse material ilícito. E ela obtinha tanto dos países vizinhos, como se valendo, por vezes, de apreensões realizadas pelas próprias forças de segurança do Estado”, explicou o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul.
Envolvimento de policiais e delegado investigado
A investigação aponta que policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal de Mato Grosso forneciam informações sigilosas e facilitavam o acesso a drogas apreendidas. Entre os alvos está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, suspeito de desviar cerca de duas toneladas de cocaína da Denar.
Conforme a investigação, a droga era retirada do depósito e substituída por uma versão adulterada para ocultar o desvio, gerando lucro estimado em pelo menos R$ 15 milhões. A defesa informou em nota que ainda não teve acesso integral ao processo e considerou prematuro comentar as novas acusações.
O policial civil Douglas Tobias também foi alvo de mandados na quarta-feira após já ter sido preso em setembro durante a Operação Infiltrados do Gaeco. O advogado Luiz Renê declarou que o cliente está à disposição para prestar esclarecimentos e não tem nada a esconder.
Violência e histórico de apreensões
Além do tráfico, a organização é investigada por sequestros, torturas, cárcere privado, atentados e homicídios utilizando fuzis, metralhadoras e granadas. Entre 2022 e 2026, a Polícia Federal realizou ou monitorou pelo menos 12 apreensões relacionadas ao grupo, totalizando mais de 2,5 toneladas de cocaína e oito toneladas de maconha.
As ordens judiciais da Operação Ifrit são cumpridas em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Os suspeitos poderão responder por crimes como organização criminosa, tráfico, lavagem de dinheiro, corrupção, tortura e homicídio.










