Democratas vencem midterms e controlam Congresso dos EUA

Onda azul nos Estados Unidos traz reflexos para juros e dólar no Brasil.
Midterms nos EUA: vitória democrata ameaça planos de Trump e pode afetar dólar e juros no Brasil

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A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), pode mudar os rumos da política econômica do presidente Donald Trump. O resultado da votação gera reflexos diretos para os mercados internacionais e para a economia do Brasil.

Impacto das midterms na agenda de Trump

Com a maioria na Câmara e no Senado, a oposição ganha força para barrar propostas do governo sobre gastos públicos, impostos e regulação. Os democratas garantiram 228 cadeiras na Câmara dos Representantes, acima das 218 necessárias, e 54 das 100 cadeiras no Senado.

A mudança ocorre em meio à queda de popularidade de Trump, cuja gestão é desaprovada por 66% dos americanos, segundo pesquisa Reuters/Ipsos. A economista do ASA, Andressa Durão, afirma que um enfraquecimento republicano reduz o poder presidencial para aprovar medidas e amplia a fiscalização.

O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, relaciona o desgaste à insatisfação com o custo de vida e lembra que a gasolina está acima de US$ 4 (R$ 21,77) por galão e o diesel, de US$ 6 (R$ 32,66). Apesar da derrota, Trump mantém o poder de vetar projetos aprovados pelo Congresso, sendo necessários dois terços dos votos em cada casa para derrubar um veto.

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Reflexos para o dólar e juros no Brasil

Para o Brasil, os efeitos chegam principalmente pelos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela cotação do dólar. O diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, Marcos Praça, avalia que a oposição com mais poder pode limitar o aumento de gastos e aliviar a pressão sobre os juros americanos.

Essa dinâmica tornaria os mercados emergentes mais atrativos, favorecendo a entrada de recursos no Brasil, o fortalecimento do real e a queda das taxas de juros futuras. A disputa em torno do orçamento, contudo, pode gerar insegurança e provocar novas oscilações globais.

O dólar voltou para a casa dos R$ 5,40 após oscilações no período eleitoral brasileiro. Segundo Sung, o movimento reflete o fortalecimento global da moeda e a frustração das apostas do mercado com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Relação bilateral e tarifas comerciais

A relação entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surge como mais um fator de incerteza para os investidores. O resultado das midterms pode influenciar a continuidade de medidas comerciais e acelerar a reação do Legislativo a possíveis atritos.

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O controle democrata não significa o fim das tarifas, pois o presidente ainda pode recorrer a dispositivos como a Seção 232, por segurança nacional, e a Seção 301, para práticas comerciais desleais. Essas ferramentas já foram usadas em medidas que atingiram produtos brasileiros, como o aço e investigações comerciais.

A Suprema Corte dos EUA derrubou em 20 de fevereiro as tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A decisão judicial, no entanto, não alcançou as medidas fundamentadas nas Seções 232 e 301, que possuem bases legais diferentes.

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